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Fonte: João Gomes- www.votorantinageral.net

Coluna Fisioterapia

Considerações sobre Alongamento e Flexibilidade

Marcelo Luiz de Souza é fisioterapeuta e profissional de educação física com especialização em fisioterapia desportiva. Atende aos árbitros do quadro do Rio de Janeiro, e presta consultorias e palestras a CONAF.

Para o fisioterapeuta esportivo, a restauração, ou a melhora do amplitude do movimento é fundamental em qualquer programa de reabilitação. Certamente, quando observa-se atletas/desportistas com amplitude restrita de movimento, provavelmente sua capacidade atlética estará diminuída, velocistas com encurtamento de isquiotibiais, provavelmente perderão em velocidade, pois os isquiotibiais curtos restringem flexão do quadril, diminuindo o comprimento da passada. Discutindo a colocação do termo, entendo que alongamento, é o conjunto de procedimentos e técnicas que devem ser incluídas no programa de tratamento e treinamento para melhorar a capacidade viscoelástica do músculo, melhorando a qualidade do movimento. Flexibilidade, refere a qualidade física a ser treinada, através de métodos específicos, objetivando melhoria na performance, pode ser também definida como a amplitude de movimento disponível ao redor de uma articulação. Neste sentido, o objetivo de um tratamento com relação a flexibilidade é alterar a extensibilidade das unidades musculotendíneas, melhorando a amplitude de movimento.

Anatomicamente, percebe-se, fatores que restringem a flexibilidade de um indivíduo. Os músculos e seus tendões, as fáscias, os tecidos conectivos ao redor, ligamentos, cápsulas, a estrutura óssea, a gordura e a pele. Estes fatores isolados ou em conjunto, favorecem contraturas e encurtamento, diminuindo o arco de movimento total. Restaurar esta amplitude é fundamental no processo de recuperação. Lembro que tanto o músculo como o tendão são compostos em grande parte por fibras não-contráteis: colágeno e elastina. O colágeno possibilita o tecido resistir as forças mecânicas e à deformação, enquanto a elastina, auxilia na recuperação do músculo após o mesmo ser alongado ou estirado. O músculo também apresenta suas unidades contráteis: actina e miosina, e desta forma tanto os elementos contráteis de um músculo como os não-contráteis, contribuem para deformação e para recuperação do comprimento inicial do mesmo.

Ao se discutir as técnicas de alongamento, devemos entender a base neurofisiológica do mesmo. O reflexo de estiramento, é proporcionado pelos mecanorreceptores:fuso muscular e órgão tendinoso de golgi (sensíveis as alterações de comprimento do músculo), o órgão tendinoso de golgi, contribui pela percepção das alterações na tensão muscular. Quando um músculo é alongado estes dois mecanorreceptores enviam informação sensorial à medula espinhal, que em seguida é conduzida ao centro cerebral superior(córtex cerebral), que devolve informação eferente para ó músculo, fazendo com que este se contrai de maneira reflexa. Caso o alongamento, persista por mais de 6 segundos, os impulsos do órgão tendinoso de golgi, começa a exceder ao do fuso muscular, causando relaxamento reflexo do músculo , este serve de mecanismo protetor que permitirá ao músculo alongar sem exceder o limite da extensibilidade, o que poderia ocasionar lesões.

Atualmente o que há de mais avançado em técnicas de alongamento é a chamada FNP (facilitação neuromuscular proprioceptiva), nela são produzidas contrações e alongamentos alternados em padrões diagonais de movimento, trabalha-se mais dinamicamente e funcionalmente o músculo a ser alongado. Das técnicas principais que compõem a FNP, temos:

1. Contrair - Relaxar: Ao paciente é solicitado a empurrar o segmento a ser alongado contra a resistência do fisioterapeuta. Esta técnica é bem utlizada quando verificamos rigidez muscular.

2. Sustentar – Relaxar: Inicia-se com uma contração isométrica do músculo a ser alongado, contra resistência do fisioterapeuta, em seguida orienta-se o paciente a realizar contração concêntrica do músculo agonista a fim de alongar o músculo antagonista, técnica usada quando encontramos tensão muscular ao redor de uma articulação.

3. Sustentar – Relaxar com Inversão Lenta: Contrário, inicia-se com contração concêntrica do músculo a ser alongado, para depois realizar contração isométrica do músculo antagonista, útil quando percebe-se que o fator limitante do movimento é o grupamento muscular antagonista.

Estudos que comparam o alongamento FNP ao estático verificam um maior ganho de flexibilidade pela FNP. Sua principal desvantagem é que geralmente é necessário um profissional para ajudar na execução dos movimentos.

O alongamento estático é o mais comumente utilizado, alonga-se o músculo até a barreira motriz(nível de desconforto), e mantém o alongamento por um determinado período de tempo. Estudos apontam que a maneira mais eficaz de manter este alongamento é de 15 seg a 30 seg repetidos de 3 a 4 vezes por grupamento muscular a ser alongado. Alongamentos que duram mais de 30 seg devem ser evitados, para evitar ativação permanente dos proprioceptorres, ocasionando desconforto e conseqüentemente lesões. Esta técnica é mais amplamente utilizada,pois é simples e pode não requerer auxílio. Mais confortável, prático, seguro e eficaz.

Os alongamentos balísticos, aqueles que se utilizam de movimentos repetidos e vigorosos, alguns autores sugerem, que este tipo de alongamento produz forças de maneira descontroladas no músculo, podendo provocar uma extensibilidade exagerada da fibra muscular, causando microrrupturas no músculos, fator este, causador de lesão e limitador da performance. Esta técnica, só pode ser utilizada por atletas treinados e com bom potencial muscular, pois assim não será causador de dor muscular e microrrupturas. Já para o sedentário ou destreinado deve ser evitado contundentemente, sobre o pretexto de ser causador de lesões musculares.

POR QUE AQUECER ANTES DE ALONGAR?

Para que um músculo seja alongado mais efetivamente, deve-se através de técnicas específicas aumentar a temperatura intramuscular, destas percebe-se na massagem desportiva, por exemplo, um instrumento eficaz para elevar a temperatura, pode ser realizado também um leve trote ou movimentos dinâmicos. A ação dos órgãos tendinosos de golgi é potencializada com o aumento da temperatura e também é exercido um efeito na capacidade de deformação dos componentes de colágeno e elastina. Portanto, recomenda-se que o exercício ou massagem desportiva deve ser usado como meio primário para aumentar a temperatura muscular.

FORÇA x FLEXIBILIDADE

É claro que o treinamento de força indevidamente utilizado pode prejudicar o movimento. Não há razão para se acreditar que o treinamento de musculação possa prejudicar a flexibilidade, o treinamento de força bem executado, provavelnmente melhora a flexibilidade dinâmica e, se combinado com programe de alongamento eficaz, pode aumentar a amplitude de movimento, essenciais para muitas atividades desportivas.

ATENÇÃO AOS ALONGAMENTOS - CUIDADOS E PRECAUÇÕES

1. Antes de um alongamento vigoroso faça: uma massagem desportiva se houver possibilidade é claro, pois melhora a condição viscoelástica da musculatura aquecendo-a previamente seguido de trote lento ou caminhada rápida. Não tendo condição da massagem: trote lento, caminhada com exercícios;

2. Alongue só até o ponto em que a resistência ao alongamento ou um desconforto seja sentida;

3. A dor no alongamento é um indicador que algo está errado, deve-se ter precauções importantes neste sentido, evitar estiramentos bruscos e dolorosos;

4. Prefira alongar na posição sentada, pois tira o estresse da coluna lombar inferior, se for realizar em pé pelo menos esteja bem aquecido, e sem restrições ao movimento;

5. Não prenda a respiração enquanto estiver alongando, respire naturalmente;

6. O alongamento balístico deve ser realizado por desportista que já sejam flexíveis, porém deve ser feito após o alongamento estático;

7. O alongamento deve ser realizado no mínimo 3 vezes na semana. Recomenda-se de 5 a 6 vezes na semana para obter bons resultados, de 15 a 30 segundos, 3 a 4 vezes por grupamento muscular.

Até a próxima!!!!

Marcelo Luiz de Souza
Fisioterapeuta - Crefito 2: 74644-F
marceloluizsouza@globo.com
Tels: (21) 9627-5472 e 7822-3025 / ID 23*22144