Para o fisioterapeuta esportivo, a restauração, ou a melhora do
amplitude do movimento é fundamental em qualquer programa de
reabilitação. Certamente, quando observa-se atletas/desportistas com
amplitude restrita de movimento, provavelmente sua capacidade
atlética estará diminuída, velocistas com encurtamento de
isquiotibiais, provavelmente perderão em velocidade, pois os
isquiotibiais curtos restringem flexão do quadril, diminuindo o
comprimento da passada. Discutindo a colocação do termo, entendo que
alongamento, é o conjunto de procedimentos e técnicas que devem ser
incluídas no programa de tratamento e treinamento para melhorar a
capacidade viscoelástica do músculo, melhorando a qualidade do
movimento. Flexibilidade, refere a qualidade física a ser treinada,
através de métodos específicos, objetivando melhoria na performance,
pode ser também definida como a amplitude de movimento disponível ao
redor de uma articulação. Neste sentido, o objetivo de um tratamento
com relação a flexibilidade é alterar a extensibilidade das unidades
musculotendíneas, melhorando a amplitude de movimento.
Anatomicamente, percebe-se, fatores que restringem a
flexibilidade de um indivíduo. Os músculos e seus tendões, as
fáscias, os tecidos conectivos ao redor, ligamentos, cápsulas, a
estrutura óssea, a gordura e a pele. Estes fatores isolados ou em
conjunto, favorecem contraturas e encurtamento, diminuindo o arco de
movimento total. Restaurar esta amplitude é fundamental no processo
de recuperação. Lembro que tanto o músculo como o tendão são
compostos em grande parte por fibras não-contráteis: colágeno e
elastina. O colágeno possibilita o tecido resistir as forças
mecânicas e à deformação, enquanto a elastina, auxilia na
recuperação do músculo após o mesmo ser alongado ou estirado. O
músculo também apresenta suas unidades contráteis: actina e miosina,
e desta forma tanto os elementos contráteis de um músculo como os
não-contráteis, contribuem para deformação e para recuperação do
comprimento inicial do mesmo.
Ao se discutir as técnicas de alongamento, devemos entender a
base neurofisiológica do mesmo. O reflexo de estiramento, é
proporcionado pelos mecanorreceptores:fuso muscular e órgão
tendinoso de golgi (sensíveis as alterações de comprimento do
músculo), o órgão tendinoso de golgi, contribui pela percepção das
alterações na tensão muscular. Quando um músculo é alongado estes
dois mecanorreceptores enviam informação sensorial à medula
espinhal, que em seguida é conduzida ao centro cerebral
superior(córtex cerebral), que devolve informação eferente para ó
músculo, fazendo com que este se contrai de maneira reflexa. Caso o
alongamento, persista por mais de 6 segundos, os impulsos do órgão
tendinoso de golgi, começa a exceder ao do fuso muscular, causando
relaxamento reflexo do músculo , este serve de mecanismo protetor
que permitirá ao músculo alongar sem exceder o limite da
extensibilidade, o que poderia ocasionar lesões.
Atualmente o que há de mais avançado em técnicas de alongamento é
a chamada FNP (facilitação neuromuscular proprioceptiva), nela são
produzidas contrações e alongamentos alternados em padrões diagonais
de movimento, trabalha-se mais dinamicamente e funcionalmente o
músculo a ser alongado. Das técnicas principais que compõem a FNP,
temos:
1. Contrair - Relaxar: Ao paciente é solicitado a
empurrar o segmento a ser alongado contra a resistência do
fisioterapeuta. Esta técnica é bem utlizada quando
verificamos rigidez muscular.
2. Sustentar – Relaxar: Inicia-se com uma
contração isométrica do músculo a ser alongado, contra
resistência do fisioterapeuta, em seguida orienta-se o
paciente a realizar contração concêntrica do músculo
agonista a fim de alongar o músculo antagonista, técnica
usada quando encontramos tensão muscular ao redor de uma
articulação.
3. Sustentar – Relaxar com Inversão Lenta:
Contrário, inicia-se com contração concêntrica do músculo a
ser alongado, para depois realizar contração isométrica do
músculo antagonista, útil quando percebe-se que o fator
limitante do movimento é o grupamento muscular antagonista.
Estudos que comparam o alongamento FNP ao estático verificam um
maior ganho de flexibilidade pela FNP. Sua principal desvantagem é
que geralmente é necessário um profissional para ajudar na execução
dos movimentos.
O alongamento estático é o mais comumente utilizado, alonga-se o
músculo até a barreira motriz(nível de desconforto), e mantém o
alongamento por um determinado período de tempo. Estudos apontam que
a maneira mais eficaz de manter este alongamento é de 15 seg a 30
seg repetidos de 3 a 4 vezes por grupamento muscular a ser alongado.
Alongamentos que duram mais de 30 seg devem ser evitados, para
evitar ativação permanente dos proprioceptorres, ocasionando
desconforto e conseqüentemente lesões. Esta técnica é mais
amplamente utilizada,pois é simples e pode não requerer auxílio.
Mais confortável, prático, seguro e eficaz.
Os alongamentos balísticos, aqueles que se utilizam de movimentos
repetidos e vigorosos, alguns autores sugerem, que este tipo de
alongamento produz forças de maneira descontroladas no músculo,
podendo provocar uma extensibilidade exagerada da fibra muscular,
causando microrrupturas no músculos, fator este, causador de lesão e
limitador da performance. Esta técnica, só pode ser utilizada por
atletas treinados e com bom potencial muscular, pois assim não será
causador de dor muscular e microrrupturas. Já para o sedentário ou
destreinado deve ser evitado contundentemente, sobre o pretexto de
ser causador de lesões musculares.
POR QUE AQUECER ANTES DE ALONGAR?
Para que um músculo seja alongado mais efetivamente, deve-se
através de técnicas específicas aumentar a temperatura
intramuscular, destas percebe-se na massagem desportiva, por
exemplo, um instrumento eficaz para elevar a temperatura, pode ser
realizado também um leve trote ou movimentos dinâmicos. A ação dos
órgãos tendinosos de golgi é potencializada com o aumento da
temperatura e também é exercido um efeito na capacidade de
deformação dos componentes de colágeno e elastina. Portanto,
recomenda-se que o exercício ou massagem desportiva deve ser usado
como meio primário para aumentar a temperatura muscular.
FORÇA x FLEXIBILIDADE
É claro que o treinamento de força indevidamente utilizado pode
prejudicar o movimento. Não há razão para se acreditar que o
treinamento de musculação possa prejudicar a flexibilidade, o
treinamento de força bem executado, provavelnmente melhora a
flexibilidade dinâmica e, se combinado com programe de alongamento
eficaz, pode aumentar a amplitude de movimento, essenciais para
muitas atividades desportivas.
ATENÇÃO AOS ALONGAMENTOS - CUIDADOS E PRECAUÇÕES
1. Antes de um alongamento vigoroso faça: uma massagem
desportiva se houver possibilidade é claro, pois melhora a
condição viscoelástica da musculatura aquecendo-a
previamente seguido de trote lento ou caminhada rápida. Não
tendo condição da massagem: trote lento, caminhada com
exercícios;
2. Alongue só até o ponto em que a resistência ao
alongamento ou um desconforto seja sentida;
3. A dor no alongamento é um indicador que algo está
errado, deve-se ter precauções importantes neste sentido,
evitar estiramentos bruscos e dolorosos;
4. Prefira alongar na posição sentada, pois tira o
estresse da coluna lombar inferior, se for realizar em pé
pelo menos esteja bem aquecido, e sem restrições ao
movimento;
5. Não prenda a respiração enquanto estiver alongando,
respire naturalmente;
6. O alongamento balístico deve ser realizado por
desportista que já sejam flexíveis, porém deve ser feito
após o alongamento estático;
7. O alongamento deve ser realizado no mínimo 3 vezes na
semana. Recomenda-se de 5 a 6 vezes na semana para obter
bons resultados, de 15 a 30 segundos, 3 a 4 vezes por
grupamento muscular.
Até a próxima!!!!
Marcelo Luiz de Souza
Fisioterapeuta - Crefito 2: 74644-F